E lá estava ela, temerosa como sempre, assustando-se até com a mais sutil das brisas, nesse mundo relativo. Seu nome era Gina, ao menos era assim que o gigante a chamava, já que ela nascera muda, sendo incapaz de dizer seu próprio nome. Talvez fosse esse o motivo de ela ter tanto medo de tudo, não podendo gritar por ajuda só lhe restara viver em eterna vigília.
Gina morava na casa do gigante, mas ficava sempre pelos cantos daquele lugar assombrosamente gigantesco, considerava-os os pontos estratégicamente mais seguros e só afastava-se destes - andando grudada na parede considerando-a a melhor rota - para pegar um pouco de alimento, tão pouco que nem fazia diferença para aquele grande ser.
Como já era de se esperar, eles nunca conversaram, mas o senhor gigante sempre lhe deixava pequeninas flores, que sempre colhia cuidadosamente, na pia do banheiro. Isso lhe alegrava um pouco, mas não o suficiente para que superasse sua triste existência.